Empresários discutem redução da jornada de trabalho durante Fórum em Vitória
A proposta de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais foi avaliada negativamente por empresários de vários setores da economia durante o Fórum de Entidades e Federações do Espírito Santo, realizado nesta quarta-feira (26) no auditório da Rede Gazeta, em Vitória. Ao contrário do posicionamento do ministro do trabalho, Carlos Lupi, que disse nesta terça-feira (25) que o impacto sobre os custos do empresariado seria mínimo, o coordenador do evento e presidente da Federação dos Transportes Luiz Wagner Chieppe, apontou prejuízos até mesmo para o consumidor final. "Quando você reduz a jornada de trabalho, isso cria um reflexo na economia das empresas e automaticamente esse custo é repassado para os produtos básicos, aqueles que as classes mais desfavorecidas não têm como pagar. Outro ponto é que o Brasil é o país mais preparado para sair da crise e tem que aumentar a produtividade. Com a redução da jornada pode haver redução da produtividade", afirmou Chieppe. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 231/95, está em discussão na Câmara dos Deputados e tem o apoio de Centrais Sindicais. Ela prevê ainda o aumento do adicional de hora extra de 50% para 75%. Para os pequenos e médios empresários, os custos seriam ainda maiores, o que poderia desmotivar a saída da informalidade, como explica o presidente da Federação de Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Femicro- ES), Carlos Alexandre da Silva. "Isso vai reduzir postos de trabalho. Como uma micro e pequena empresa vai repassar esses custos? É um encargo social, teremos que replanejar a política de recursos humanos. Uma PEC dessa inviabiliza qualquer forma de nós sensibilizarmos os empresários de Vitória a se formalizar", afirma. Os empresários, representados por presidentes de federações, ressaltaram também que, caso o Governo Federal apoie a medida, ela deve vir acompanhada da redução da carga tributária, para desonerar as empresas, principalmente a indústria. O coordenador do envento, Luiz Wagner Chieppe, no entanto, destacou que o setor industrial pode ainda automatizar os processos realizados por trabalhadores para não ter a produtividade afetada. Já o setor de Serviços seria o mais prejudicado, pois é o que mais depende da mão-de-obra. Ele diz, no entanto, que algumas empresas, já reduzem a carga de trabalho e utilizam a medida como "moeda de troca" com trabalhadores, sem maiores prejuízos. Durante a discussão da PEC na comissão geral da Câmara dos Deputados, o ministro Carlos Lupi argumentou que 40% dos países no mundo adotam a carga média de 40 horas semanais. Excessões seriam a Índia (47 horas), China (44,6 horas) e Estados Unidos (45,5 horas). A PEC já foi aprovada por uma comissão especial da Câmara e precisa ser votada em dois turnos pelo Plenário. Fonte: Gazeta Online
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