Indústria capixaba prevê crescimento no último trimestre

Setembro de 2008. A quebra do centenário banco Lehman Brothers provoca uma queda generalizada nas principais bolsas de valores. Instala-se aí o marco da crise econômica mundial. Os meses seguintes foram caracterizados pelo declínio de outros impérios financeiros mas, atualmente, esta instabilidade parece perder força. Os especialistas dizem que pior não pode ficar e a tendência é de um cenário promissor e, pelo menos, é isso o que empresários e consumidores capixabas acreditam.

O otimismo em relação a economia foi confirmada pela pesquisa 'Avaliação do Desempenho da Economia Brasileira e Capixaba', apresentada pela Federação da Indústria do Espírito Santo (Findes) nesta sexta-feira (24). O fato é que, no Espírito Santo, de acordo com o Instituto Euvaldo Lodi (IEL), o último trimestre de 2009 deverá apresentar crescimento comparado ao mesmo período do ano passado.

Mesmo com esta recuperação no final, o ano deve fechar com uma produção industrial 10% menor do que ano anterior. O superintendente do IEL Denildo Denadai afirma que a produção do Estado deve crescer a partir do mês de outubro. Comparando janeiro e maio de 2009 com o mesmo período de 2008, o Espírito Santo produziu menos 30,01%. O resultado do cenário nacional foi de menos 13,09%.

No Estado, os setores que mais puxaram a produção industrial para baixo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram: Extrativo Mineral (pelotização) que caiu 51,25% e Metalúrgica Básica (-39,32%). Denadai diz que, em termos de produção, até maio nenhum setor apresentou recuperação, no entanto, em relação ao faturamento, dos 16 setores analisados pelo IEL, apenas coque e álcool; têxtil; e vestuário e acessórios tiveram crescimento. O faturamento real na indústria capixaba caiu 28%.

Segundo o presidente da Findes, Lucas Izoton, no ano passado o Espírito Santo exportou U$ 10 bilhões e, este ano, deve exportar algo entre 6 e 7 bilhões de dólares. "Vai ser uma queda em torno de 30% a 40%. O impacto maior vai incindir na área de mineração. Se no ano passado, foi exportado U$ 5 bilhões e, neste ano, deve atingir U$ 2,5, ou seja, a grande redução das exportações virá da área do minério e a parte do aço", diz.

Para o presidente da Findes, o setor da Construção Civil está conseguindo se recuperar e um dos fatores deste impulso é o programa de habitação do Governo Federal 'Minha Casa, Minha Vida', que prevê a construção de 1 milhão de moradias, em todo o Brasil, para pessoas que recebem até 10 salários mínimos.

"Vemos, também, que, com a futura assinatura do acordo de competitividade do Governo Estadual com entidades empresariais, as condições para as empresas do setor de vestuário deve melhorar, por consequência disso serão gerados mais empregos no setor têxtil, que é o maior empregador industrial feminino", avalia Lucas Izoton.

2010

Para o próximo ano, a Federação da Indústrias do Espírito Santo prevê que as mudanças serão maiores e afirma que o Estado manterá a geração de empregos, além de novos investimentos. Ele analisa que, não só o comercio internacional se desenvolva, mas, também, o mercado doméstico. "As empresas capixabas que vendem para outros estados, principalmente os das regiões Norte e Nordeste, devem crescer", ressalta o presidente da Findes, Lucas Izoton.

De acordo com Izoton, a retomada da construção do aeroporto de Vitória seja um necessidade para adequar o Estado para o futuro. "Conhecemos a estrutura da economia de uma região, também, pelas condições de transporte, pelos portos, rodoviárias e aeroportos que possui. A infraestrutura do Estado é até boa, mas não é reciproca com a condição do nosso aeroporto. Como diz o governador, parece com uma rodoviária abandonada do interior. Esse é um dos grandes gargalos para a economia capixaba, é necessário ter um aeroporto descente compatível com nossa economia", defende.

O presidente da Findes acredita que se a população acha que o pior já passou, significa que a expectativa pode se tornar realidade. De acordo com a pesquisa, junho foi o mês em que aconteceu esta virada otimista. A avaliação positiva foi de 44% para a economia brasileira e de 46% em relação a capixaba. Por outro lado, os índices daqueles que não acreditam na retomada caiu de 15% para 13%, respectivamente.

Em março, a avaliação otimista para o crescimento da economia brasileira era de 24%, valor equiparado ao da avaliação pessimista, que era de 20%. O mesmo aconteceu com a economia capixaba, com otimistas em 26% e avaliação pessimista de 21%. A pesquisa foi realizada pela Flex Consult. Foram ouvidas 400 pessoas, entre os dias 27 e 29 de junho.

Meio ambiente

Há um certo tempo as pesquisas mostram que a população capixaba está muito preocupada com o meio ambiente. "Mais de 80% dos capixabas aceitam um desenvolvimento um pouco menor, mesmo que impacte na geração de empregos, para ter um retorno em qualidade de vida, com a preservação de belezas naturais e do meio ambiente", salienta Lucas.

Capacidade instalada

Atualmente o nível de capacidade instalada - suporte máximo de produção de uma fábrica - no Estado chega a 76%. Em dezembro do ano passado era de 82,76%. De acordo com Izoton, a capacidade capixaba está baixa motivada pelas grandes usinas que ficaram desativadas. "A Samarco, até há dois meses, estava com duas plantas paradas, ou seja, 33% de sua capacidade. A Vale, das sete usinas, apenas uma estava ativa, operando só com 15%", comentou.

Izoton ainda afirma que este quadro deve melhorar. Hoje a Samarco trabalha com três usinas e a Vale já está com quatro plantas ativas. De acordo com o IEL, a utilização da capacidade instalada no Espírito Santo ficou mais ociosa e caiu 8,76% em relação a 2008. Em ano de crise, o emprego também mostra um queda, comparando maio de 2009 com maio de 2008 o nível caiu 1,8%. Os especialistas afirmam que este quadro deve ficar estável.

Fonte: Gazeta Online

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